Os meninos do meu trabalho dizem: "Seis hora da manhã, ela já está feliz".
Apesar de estar longe da minha família, amigos e do meu Rio. Este é o meu melhor momento comigo mesma. Em 10 meses eu me conheci melhor do em 25 anos e dois anos e meio de terapia. Agora eu sei o que eu gosto, o que eu gosto mais ou menos e que eu realmente não gosto.
Como alguns sabem eu uma mistura de todas as religiões, aliás, de todas as tribos. Preconceito, é uma palavra que comigo não existe. E quando tenta existir, me toco e me corrijo. Eu sou a autocrítica em pessoa, até demais. Também aprendi ser mais tranquila com isso.
Para mim 2011 foi um ano de transformações e realizações espirituais. Muitas pessoas estão mudando conceitos, opiniões, profissão e se conhecendo melhor. Cada um procura isso da melhor forma para si mesmo. A minha foi ficar sozinha comigo mesma.
Uma vez uma brasileira me disse que só para Dublin os perdidos, na boa, eu concordo! A atmosfera de Dublin é diferente. É algo que te faz sentir igual a qualquer pessoa. É uma liberdade, que se você não tiver sabedoria suficiente, essa entra pelo ralo e passa pelo cano e cai no esgoto sem nenhum aproveito.
"Escolhas de uma vida
A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões".
Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso.
Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção,estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida".
Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades.
As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços...
Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.
Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado. Por isso é tão importante o auto conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: Ninguém é o mesmo para sempre.
Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto.Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências destas ações.
Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado. A escolha é sua...!"
Pedro Bial
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